O arquiteto Jorge Capistrán fez da inovação uma oportunidade para estimular a construção de habitações de interesse social em seu país, o México. Através de sua empresa, a Armados Omega, ele criou o Block ARMO.

São blocos de concreto produzidos com resíduos de construção, cujas peças formam paredes estruturais e de vedação encaixando-se umas nas outras. As peças dispensam o uso de argamassas e podem ser montadas sem a exigência de mão de obra especializada.

 

Cada Block ARMO mede 12 x 20 x 40 cm. A geometria lembra brinquedos infantis, como quebra-cabeças e Lego. Conforme as peças se encaixam vão dando sustentação umas às outras, criando paredes que podem ser sustentadas por pilares pré-fabricados em suas extremidades. Jorge Capistrán conseguiu patentear e obter autorização do governo mexicano para colocar no mercado o sistema construtivo inovador. Em 2015, a invenção ganhou o prêmio nacional de inovação tecnológica do México.

 

Com mão de obra treinada, a construção de uma habitação de interesse social com essa tecnologia pode ser erguida na metade do tempo de uma construção convencional. Os custos também sofrem redução – em média, 25% menos, dependendo de cada região do México. “A intenção é tornar o sistema ainda mais barato. Conforme a demanda for aumentando, a produção de artefatos cresce e permite baixar ainda mais o custo”, diz Juan Manuel Reyer, diretor-comercial da empresa.

 

O desenvolvimento da tecnologia começou em 2007. A ideia nasceu da intenção de projetar uma casa funcional e barata, que pudesse substituir habitações improvisadas. “Pensamos em elementos funcionais e decorativos, que são feitos do mesmo material e com os mesmos equipamentos, para otimizar a industrialização. O sistema é ilimitado em termos de formato das peças e pode se adaptar a vários tipos de projetos”, assegura Jorge Capistrán, que começou a construir os primeiros protótipos em 2011.

 

Segundo o inventor do Block ARMO, as estruturas criadas por ele foram testadas e aprovadas pelo departamento de engenharia técnica da Universidade de Stanford. O interesse norte-americano surgiu depois que o sistema foi empregado para construir 300 casas em Serra Negra, na região de Puebla, considerada uma das áreas mais pobres da cidade mexicana. Os blocos passaram a integrar um programa de validação, coordenado pela Conacyt TechBA-FUMEC – organismo que viabiliza acordos tecnológicos e de pesquisa entre México e Estados Unidos.

 

Atualmente, a empresa que fabrica os blocos busca financiamento para seguir aperfeiçoando o material. Outra meta é conseguir a validação do Conselho Nacional de Habitação (CONAVI), para que possa entrar definitivamente nos sistemas construtivos validados pelos programas de habitação social do México. Com isso, estima Jorge Capistrán, a evolução da tecnologia estará assegurada e poderá ser difundida em outros países – principalmente, na América Latina, onde o déficit habitacional é um dos maiores do mundo.

 

Assista a seguir como funcionam os blocos:

 

 

Fonte:Blog Massa Cinzenta

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